Semana da Caatinga reúne instituições em defesa do bioma em Picuí
24/04/2026 23:43:52

Evento realizado pela Funetec abre caminho para a discussão de soluções de preservação do ecossistema exclusivamente brasileiro
A I Semana da Caatinga – Reserva Particular Olho D’Água das Onças foi aberta na manhã desta sexta-feira (24), na zona rural de Picuí, no Seridó paraibano. Na mesa de abertura estavam presentes representantes da academia, do poder público, do setor produtivo e da sociedade civil em torno de um objetivo comum: pensar o futuro da Caatinga e fortalecer ações de conservação no semiárido. O evento é fruto de uma parceria da Fundação de Educação, Tecnologia e Cultura da Paraíba (Funetec) e a Reserva Particular Olho D’Água das Onças, com o patrocínio do Banco do Nordeste e apoios da Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB), da Fuji e da Rivaz, consolidando um arranjo institucional que aposta na ciência e na gestão sustentável do território.
A Funetec esteve representada pelo superintendente Rodrigo Barreto e por Rejane Negreiros, diretora de Comunicação e Marketing, reforçando o compromisso da Fundação com a agenda ambiental e com projetos de impacto no semiárido nordestino.
Mesa plural reforça integração entre ciência, poder público e setor produtivo
A mesa de abertura foi marcada pela pluralidade de vozes e a presença de representantes de todos os setores da sociedade. Conduzidos por Buba Germano, representante da ALPB, idealizador e diretor técnico da Reserva, participaram da cerimônia: Etham Barbosa, diretor-presidente do Instituto Nacional do Semiárido (INSA); Francinaldo Leite, diretor de Desenvolvimento de Ensino do Instituto Federal da Paraíba (IFPB) – Campus Picuí; Márcio Frazão, biólogo e representante da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG); Renato Borba, gerente-geral da agência do Banco do Nordeste de Picuí; e Raniere Almeida, geólogo e representante da Rivaz Brasil, empresa de mineração.
A composição da mesa evidenciou o caráter interinstitucional da Semana da Caatinga, que busca articular pesquisa científica, políticas públicas, financiamento e iniciativas privadas em prol da conservação e do uso sustentável do bioma.

“Preservação está no DNA da Funetec”, afirma superintendente Rodrigo Barreto
Em seu discurso, o superintendente da Funetec, Rodrigo Barreto, destacou o simbolismo de reunir, em uma mesma mesa, academia, sociedade civil, setor privado e poder público para debater a Caatinga. Ele ainda ressaltou: “A preservação ambiental e da biodiversidade estão no DNA da Funetec, que está sendo construída”. E completou: “A presença da Fundação na Semana da Caatinga se alinha à estratégia de apresentar soluções conjuntas com municípios e universidades para a proteção do bioma”.
O superintendente da Funetec também reforçou: “Iniciativas como essa aproximam a gestão de projetos da realidade dos territórios, ampliando o alcance de ações de educação ambiental, pesquisa aplicada e desenvolvimento sustentável no semiárido paraibano”.

Reserva Olho D’Água das Onças é laboratório vivo para ciência e formação de pesquisadores
O professor Márcio Frazão Chaves, do Centro de Educação e Saúde da UFCG e coordenador do Laboratório de Biologia dos Anuros (LABAN-CES-UABQ-UFCG), lembrou que a Reserva é, há pelo menos cinco anos, um campo privilegiado de pesquisa.
Segundo ele, o grupo desenvolve atividades que incluem levantamento da fauna de anfíbios e répteis, estudos sobre a avifauna e trabalhos de história natural de diversas espécies típicas da Caatinga, formando estudantes de graduação, mestrado, doutorado e pós-doutorado. “Esse esforço contribui tanto para a ciência produzida na Paraíba quanto para o desenvolvimento social das regiões do Curimataú e do Seridó paraibano, transformando a reserva em um espaço de formação e conservação”, enfatizou o professor que representou a UFCG na mesa de abertura.
Representatividade regional e futuro da Caatinga em pauta
Representando o IFPB – Campus Picuí, Francinaldo Leite enfatizou a importância de associar a Semana da Caatinga à Reserva Olho D’Água das Onças, especialmente pela forte presença de estudantes e de municípios da região. Ele observou que o evento reúne participantes de Picuí e de pelo menos outros 18 municípios atendidos pelo campus, o que reforça a dimensão regional da iniciativa e o potencial de multiplicação das discussões sobre o futuro do bioma.
Para Francinaldo, “a união entre Reserva, instituições de ensino e parceiros públicos e privados ajuda a construir uma consciência ambiental coletiva, essencial para garantir que a Caatinga continue sendo um ambiente de vida, produção e identidade para as próximas gerações”.
INSA leva ciência e reconhecimento nacional à Semana da Caatinga
O diretor-presidente do INSA/MCTI, Etham Barbosa, lembrou que o Instituto tem a missão de promover ciência e tecnologia social de ponta voltadas à transformação do semiárido, e que, durante a Semana da Caatinga, a Reserva Olho D’Água das Onças se torna simbolicamente “a casa do semiárido”.
Ele destacou que o INSA, em articulação com a Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) e com o Programa Ecológico de Longa Duração (PELD), atua na área desde o início da consolidação da reserva, apoiando não apenas o processo legal, mas também a dimensão científica e formativa, com projetos que envolvem estudantes de iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado.
Etham reforçou que “o evento projeta a Reserva como um espaço único na região, capaz de abrigar conhecimento de ponta e dar visibilidade ao semiárido paraibano e ao Nordeste, em sintonia com as diretrizes do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação”.
Estudantes protagonizam abertura da Semana da Caatinga
Anfitrião da I Semana da Caatinga, o deputado e assessor especial da ALPB, Buba Germano, chamou atenção para a presença maciça de estudantes, estimada em cerca de 350 alunos de diferentes níveis de ensino. Para ele, ver ônibus chegando de tantos municípios comprova que a Reserva vem se consolidando como um espaço de educação ambiental, cidadania e engajamento juvenil, fundamental para a construção de uma nova cultura de cuidado com a Caatinga. “Essa Reserva só tem uma missão: preservar o bioma Caatinga. No início da manhã, já contabilizávamos mais de seis comitivas aqui. São vários atores: estudantes, atores do desenvolvimento como o Banco do Nordeste, as universidades, que têm um papel fundamental na formação da sociedade, as instituições parceiras e a área de mineração”, comentou animado o idealizador do evento, Buba Germano.
Programação segue até o Dia Nacional da Caatinga
A I Semana da Caatinga segue com uma programação que inclui palestras, trilhas ecológicas, eco pedal, visitas ao Museu da Caatinga, apresentações de pesquisas e atividades de educação ambiental, em celebração ao Dia Nacional da Caatinga, comemorado em 28 de abril.
Com a participação da Funetec, do INSA, de universidades, escolas, empresas e órgãos públicos, a Semana se firma como um marco para o Seridó paraibano, apontando caminhos para um modelo de desenvolvimento que reconhece a Caatinga como bioma estratégico, vivo e essencial para a identidade do povo nordestino.
Logo após a abertura oficial, Artur Cordeiro, ministrou a palestra ‘A importância do BNB para o desenvolvimento regional’. E logo depois foi a vez do engenheiro agrônomo Stênio Andrey, doutor em Agronomia pela Universidade de Viçosa, falar sobre a importância da inovação tecnológica na produção de alimentos e geração de renda na região da Caatinga.
À tarde, as discussões ficaram em torno do papel das universidades para a consolidação do Plano de Manejo da Reserva Particular de Patrimônio Natural “Olho D’Água das Onças”.
A programação oficial do evento segue até o domingo, com o acolhimento dos participantes do Eco pedal “Amigos da Onça” e a inauguração da Área de Camping, mas as atividades seguem até a terça-feira (28), quando é celebrado o Dia Nacional da Caatinga, com ações de conservação como plantio de mudas de árvores nativas para recuperação de áreas e a doação de mudas para visitantes e associações locais.