
O quarto dia da COP30 foi marcado por um momento emocionante e inspirador: o painel “Mulheres da Quixaba: Juventude e Sustentabilidade no Semiárido” apresentou ao público internacional um projeto que revolucionou a comunidade rural de Picuí, no Seridó da Paraíba. A atividade autogestionada reuniu vozes essenciais da transformação social na região: Ednalva Dantas, fundadora da Associação Mulheres da Quixaba, e Buba Germano, ex-prefeito de Picuí e incentivador do projeto.
Logo na abertura, Ednalva Dantas compartilhou a essência da missão coletiva: “Nossa missão é seguir transformando a vida dos moradores e também dar dignidade, ser referência na produção de doces e geleias artesanais a nível nacional e internacional até 2030”. Com entusiasmo, ela explicou como a Associação, fundada há 12 anos, tornou-se ainda mais robusta ao investir em educação, capacitação e na força do trabalho feminino para mudar destinos. “Os nossos valores não podem faltar: amor, respeito, compromisso, sustentabilidade, união, responsabilidade social e dedicação. Os princípios desta associação já estão atrelados à agenda global”, reforçou Ednalva.

Desde o início, vencer a pobreza, o isolamento e os desafios climáticos exigiu articulação e busca constante por parcerias. “Vivemos correndo atrás de parcerias. A primeira porta que batemos foi a EMPAER, buscando capacitação para transformar o umbu em doces e geleias”, relembrou. O resultado pode ser saboreado em oito variedades de geleias de umbu, caju, abacaxi, abacaxi com pimenta, pimenta pura, maracujá e maracujá com pimenta, além da ampliação do portfólio, apostando no leite de produtores locais menos expressivos para criar o tradicional doce de leite, o popular café com leite, leite com coco e leite com goiaba. Parte da produção também atende a compras institucionais, fortalecendo a inclusão econômica da comunidade.
Outro pilar do projeto é a educação ambiental, promovendo o engajamento de mulheres e jovens em práticas sustentáveis, alinhadas a objetivos como Fome Zero e agricultura sustentável.
O painel também trouxe o olhar de Buba Germano: “Qual a essência de tudo isso? Essas jovens fazem parte de uma economia invisível, que não está nas universidades, nos grandes economistas, no PIB diário que a televisão mostra, nem no IBGE, quando apresenta o setor primário da Paraíba. Sabe por quê? Porque elas são informais, não entra nessa conta quem vende pamonha na feira, quem faz o doce de leite, quem vende uma cabra.” Sua fala destacou a importância de valorizar e reconhecer o empreendedorismo feminino rural, que movimenta a economia e transforma vidas, mesmo sem aparecer nas estatísticas oficiais.
O painel evidenciou a potência das mulheres da Quixaba como agentes de mudança, capazes de criar alternativas sustentáveis, gerar renda e inspirar novas gerações. Reconhecimento e apoio a iniciativas como essa são fundamentais para que outras comunidades vejam, na organização, capacitação e articulação coletiva, o caminho para crescer, inovar e combater as desigualdades. A história das Mulheres da Quixaba é a prova viva de que transformação social e desenvolvimento sustentável florescem quando enraizados no protagonismo local, na educação e no trabalho coletivo.
TEXTO: Ana Cláudia
FOTOS: Comunicação Funetec
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