
Fundação representará a Paraíba em Belém com iniciativas que formam professores Xikrin e Parakanã no Pará
Segundo o Censo Escolar da Educação Básica de 2020, o Brasil tem mais de 26 mil professores atuando em escolas indígenas, em que 78% possuem vínculos temporários e apenas 38,5% têm ensino superior. A formação docente qualificada é urgente para a autonomia dos povos originários.
É nesse contexto que a Funetec gerencia, com eficiência e sensibilidade, dois projetos emblemáticos do Instituto Federal do Pará (IFPA): o Curso de Magistério Indígena Xikrin do Bacajá e o Curso de Magistério Indígena Parakanã/Awaeté.

A relevância dessas iniciativas ganha projeção internacional: a Funetec representará a Paraíba na COP30, em Belém, apresentando a experiência no painel “Vozes jovens, saberes ancestrais: A educação escolar indígena como campo de resistência no IFPA”, que ocorrerá na Green Zone, no dia 18 de novembro, Sala Ateliê 02, ás 11 horas.
Os cursos atendem a povos com realidades distintas: os Xikrin, subgrupo Mebêngôkre (Kayapó) do Médio Xingu, habitam a Terra Indígena Trincheira Bacajá, com 1,7 milhão de hectares e 43 aldeias; já o povo Parakanã, que se autodenomina Awaeté, "gente de verdade", é um grupo indígena de cerca de 1.300 pessoas, falantes de uma língua pertencente à família Tupi-Guarani. Eles são habitantes tradicionais do interflúvio dos rios Pacajá e Tocantins, no estado do Pará.

O modelo pedagógico adotado é o de alternância, intercalando “Tempo-Escola”, com aulas concentradas nas aldeias e “Tempo-Aldeia”, quando os conhecimentos são aplicados e compartilhados nas comunidades. Esse formato assegura que a formação dialogue com a temporalidade indígena e fortaleça a gestão comunitária da educação.
Além disso, os cursos são construídos a partir de currículos contextualizados, que integram saberes tradicionais, cosmologias e a revitalização das línguas maternas. Para a professora Tatiane Costa, coordenadora dos cursos, a iniciativa cumpre missões estratégicas:
“O magistério indígena fortalece a revitalização das línguas, valoriza os saberes ancestrais e promove a autonomia das comunidades. Formar professores indígenas é também formar lideranças que atuarão dentro das escolas, garantindo uma educação de fato intercultural, bilíngue e comunitária.”, comentou a professora.
Com aulas inaugurais realizadas e processos seletivos conduzidos diretamente nos territórios, os cursos já colhem depoimentos de gratidão e engajamento por parte das comunidades. O reconhecimento também veio em âmbito nacional; o magistério indígena do IFPA já foi apresentado como experiência exitosa em evento da rede federal de educação profissional.
A ida do projeto para a COP30 simboliza a consolidação de um trabalho que alia gestão pública competente e compromisso humano, mostrando ao mundo como a educação pode ser ferramenta de transformação, sustentabilidade e valorização das culturas indígenas.
TEXTO: Vitória Lisboa
FOTO: Acervo Magistério Xikrin
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