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Do Bolsa Família à Autonomia: A História da Presidente da Associação de Mulheres da Quixaba que Inspira a presença da Funetec na COP30


13/11/2025 15:16:45

A força da agricultura familiar representada por Damiana Morais e as Delícias da Quixaba, junto a Funetec, em evento da ONU, em Belém do Pará

 

Enquanto o mundo busca soluções para o clima na COP30, em Belém, um exemplo vivo de resiliência, empoderamento e economia circular ganha destaque no prédio de economia criativa da Green Zone da Conferência. A história é da Associação de Mulheres Produtoras Rurais da Quixaba, de Picuí, no Seridó paraibano, que tem na presidente Damiana Morais a sua face mais inspiradora. Sua trajetória pessoal espelha a transformação que o projeto "Delícias da Quixaba" promoveu na comunidade: da dependência à autonomia, da invisibilidade ao protagonismo em um evento global.

Nascida e criada no Sítio Cantinhos, Damiana casou-se jovem, morou por 13 anos em outra cidade e, após se separar, voltou para a casa da mãe com seus dois filhos. O futuro era incerto. "Antes do projeto, eu vivia do Bolsa Família, apenas, vivia do Bolsa Família, era a única renda que eu tinha", relata. A virada começou em 2020, quando a fundadora da associação, Ednalva Dantas, a convidou para se juntar ao grupo. Ela aceitou o chamado e começou na produção de doces e geleias.

A Associação, que já tinha uma história de mais de uma década, encontrou em Damiana uma força renovada. Em 2022, ela não só dominava as técnicas de produção como se candidatou e foi eleita presidenta. A mulher que antes dependia de uma renda complementar assumia a liderança de um negócio coletivo que gera sustento para dezenas de famílias.

O projeto, que conta com apoio técnico da Funetec, transforma frutos nativos do Semiárido, como umbu, goiaba e cajá, em "Delícias da Quixaba". O carro-chefe é o "queridinho" café com leite, e a produção inclui doces, geleias e bolos comercializados para programas governamentais e em feiras nacionais. Mais do que uma fonte de renda, o trabalho deu a Damiana e suas companheiras algo transformador.

E é com uma simplicidade que carrega profunda emoção que Damiana define a conquista central dessa jornada:

"O que esse projeto impactou na minha vida é que me deu autonomia financeira para poder resolver as minhas coisas, não ficar esperando pelos outros."

Essa autonomia mudou sua realidade e a de seus dois filhos. "Depois da associação, minha vida mudou bastante, porque tenho meu dinheiro, trabalho, ganho meu sustento para sustentar a mim e meus dois filhos", comemora.

Agora, na COP30, o ciclo de transformação se completa. Da cozinha industrial montada em uma escola abandonada no Sítio Quixaba para um dos maiores palcos globais de discussão sobre o futuro do planeta. 

"Para mim, eu fico muito feliz em saber que a gente conseguiu chegar até a COP 30, que a gente nem sonhava em ir", diz Damiana, que vê na Conferência uma oportunidade única de visibilidade. "Muita gente vai conhecer o nosso trabalho de perto, vai conhecer o que as mulheres produtoras da agricultura familiar fazem morando na zona rural."

A história de Damiana Morais e das Mulheres da Quixaba é a materialização de um conceito que a COP30 tanto prega: a justa transição. Elas mostram que a resposta às mudanças climáticas passa pelo fortalecimento das comunidades, pela valorização dos saberes tradicionais e, sobretudo, pela coragem de mulheres que, com as mãos na massa e a doçura, estão construindo um futuro mais digno e sustentável para todo o Semiárido.

TEXTO: Vitória Lisboa

FOTOS: Elias Rodrigues 

 





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