
A manhã deste domingo (14), no Festival de Sustentabilidade, Inovação e Cultura – Rumo à COP30, foi marcada pela roda de conversa “Tecnologias Socioambientais e Circularidade: estratégias no enfrentamento da poluição hídrica e plástica”, que reuniu duas especialistas da Universidade Federal da Paraíba (UFPB): a profa. Dra. Maria Cristina Crispim, bióloga e coordenadora do Laboratório de Ecologia Aquática, e a profa. Dra. Cláudia Cunha, professora do Departamento de Química e coordenadora do projeto de extensão Mares Sem Plástico. A mediação foi conduzida por Ingredhy Dantas, diretora de Projetos, Negócios e Relações Institucionais da Funetec.

Educação ambiental e os impactos da crise climática nos rios
Em sua fala, a professora Cristina Crispim chamou a atenção para os impactos diretos do aquecimento global nos ecossistemas aquáticos, lembrando que o aumento da temperatura reduz a solubilidade do oxigênio na água, provocando a morte de peixes e a perda de biodiversidade.
“Nós já temos pouco oxigênio nos rios em razão da poluição, e com o aumento da temperatura isso tende a piorar, porque o oxigênio se torna insolúvel e vai para a atmosfera. Isso traz graves impactos ambientais, com perda de biodiversidade e de peixes. Precisamos implementar soluções para reduzir esse impacto”, explicou a pesquisadora Cristina Crispim.
Entre as soluções, ela destacou a construção de fossas ecológicas — tanto unidomiciliares quanto coletivas — que, além de tratar águas cinzas e negras, podem gerar água de reuso. O projeto desenvolvido pelo seu laboratório oferece alternativas simples e de baixo custo, com grande potencial de aplicação em comunidades carentes.
“Eu acredito na educação ambiental. Convencer os adultos de que além de ecológico também é econômico é um desafio, mas fundamental. Também precisamos capacitar professores para que a educação ambiental esteja presente desde a escola básica”, defendeu Cristina Crispim.

O combate à poluição plástica e a circularidade de materiais
Já a professora Cláudia Cunha apresentou o trabalho do projeto Mares Sem Plástico, que atua em escolas, associações e comunidades para conscientizar sobre os impactos do lixo no mar. O projeto alia educação ambiental a pesquisas de inovação, como o desenvolvimento de compósitos a partir da mistura de polietileno com biomassas, ou a produção de blocos de concreto substituindo a areia convencional por resíduos plásticos reciclados.
“Eu gosto muito de trabalhar com crianças, porque a educação é o caminho para transformar. Na primeira infância, apresentando o problema de forma lógica e construtiva, conseguimos ter melhores resultados no futuro”, afirmou a professora Cláudia Cunha.

Durante a roda de conversa, a docente apresentou ainda estatísticas mundiais que ilustram o cenário alarmante da poluição plástica: são produzidas mais de 400 milhões de toneladas de plástico por ano em todo o mundo, sendo que metade desse volume é projetada para ser usada apenas uma vez (ONU, 2023). Estima-se que entre 19 e 23 milhões de toneladas de plástico acabam anualmente em lagos, rios e mares, afetando ecossistemas inteiros (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente – PNUMA, 2022). O material representa cerca de 80% de todos os resíduos que poluem os oceanos (PNUMA, 2022).
Ela destacou ainda que o Brasil é o quarto maior produtor de lixo plástico do mundo, atrás apenas de Estados Unidos, China e Índia, gerando aproximadamente 11,3 milhões de toneladas por ano, mas reciclando apenas 1,28% desse montante (WWF Brasil, 2019). Em escala global, menos de 10% de todo o plástico produzido é reciclado (ONU Meio Ambiente, 2023).

O papel da educação e da inovação social
Para a mediadora Ingredhy Dantas, a principal conclusão da roda de conversa foi o papel central da educação em todos os níveis para a construção de soluções socioambientais.
“Podemos desenvolver inovações sociais e tecnológicas a partir da extensão e da pesquisa, mas é através da educação que conseguimos mudar realidades. O maior desafio é fazer com que a sociedade entenda a urgência da sustentabilidade, mesmo em questões básicas como a coleta seletiva ou o uso racional da água”, destacou Ingredhy Dantas.
Ciência e tradição rumo à COP30
Ao reunir pesquisadoras e representantes da sociedade civil, o Festival Funetec mais uma vez reforçou a importância de integrar ciência, inovação e políticas públicas no enfrentamento da crise climática. O debate também mostrou que soluções simples e acessíveis podem transformar comunidades inteiras, fortalecendo a circularidade e o combate à poluição hídrica e plástica — uma agenda que dialoga diretamente com os compromissos que serão discutidos na COP30.
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