
No Dia Mundial da Justiça Social, a Fundação reforça o compromisso com a equidade por meio do gerenciamento de políticas públicas que geram autonomia e dignidade
Nesta sexta-feira (20), celebra-se o Dia Mundial da Justiça Social. Instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU), a data nos convoca a um olhar crítico sobre os alicerces que sustentam a vida em sociedade. Mais do que um conceito abstrato, a justiça social exige a análise concreta das estruturas que perpetuam desigualdades, cobrando de governos, instituições e cidadãos uma postura ativa na construção de um mundo mais equânime.
Nesse contexto, a educação profissional se revela como uma ferramenta poderosa de reparação e transformação. Não se trata apenas de transferir conhecimento técnico, mas de devolver a autoestima, abrir portas para o mercado de trabalho e, principalmente, garantir que pessoas historicamente marginalizadas possam escrever suas próprias histórias com autonomia. É neste ponto que a atuação da Fundação de Educação, Tecnologia e Cultura da Paraíba (Funetec) se destaca, materializando o espírito da data por meio da gestão do Programa Mulheres Mil em três estados e instituições diferentes.
O Programa Mulheres Mil é hoje uma realidade em diferentes regiões do país, e a Funetec tem papel estratégico nessa expansão. A Fundação é responsável pela gestão do programa em três estados — Paraíba, Pará e Sergipe — atuando em parceria com os respectivos Institutos Federais para garantir que a política pública chegue com qualidade e eficiência a milhares de mulheres.
Para o superintendente da Funetec, Rodrigo Barreto, a atuação da Fundação no Programa Mulheres Mil e na busca pela justiça social vai além de uma gestão administrativa e financeira:
“É ação que transforma realidades. E é exatamente isso que fazemos ao viabilizar o Programa Mulheres Mil em três estados diferentes. Para nós da Funetec, a justiça social se materializa quando garantimos que os recursos da política pública cheguem ao seu destino na ponta, garantindo bolsas, cursos e qualificação profissional para quem mais precisa. Mais do que gerenciar contratos, nós estruturamos oportunidades para que mulheres em situação de vulnerabilidade reescrevam suas próprias histórias através do estudo e do trabalho”, acrescentou Rodrigo.

Na Paraíba, essa transformação ganha contornos ainda mais concretos. Por meio da parceria com o Instituto Federal da Paraíba (IFPB), o Programa Mulheres Mil chegou aos 22 Campi da instituição, do litoral ao sertão, a partir de 2024.
Ao todo, já foram ofertadas 1.064 vagas em diversas regiões do estado. E os números continuam crescendo: só para 2026, estão sendo disponibilizadas mais 477 vagas, reafirmando o compromisso com a continuidade e expansão dessa política.
Para a pró-reitora de Extensão e Cultura do IFPB e também coordenadora do Mulheres Mil, Josi Batista, estar à frente dessa iniciativa carrega um significado profundo:
"Ser filha de uma mulher que cresceu no sertão com poucas oportunidades me faz sentir honrada em estar à frente do Mulheres Mil. Ver outras mulheres, com realidades similares às da minha mãe, tendo acesso à educação e conquistando dignidade é, para mim, uma questão de justiça social. O programa permite que elas se dediquem a si mesmas, busquem autonomia psicológica e econômica. E esse é o papel das instituições de ensino: romper barreiras e garantir igualdade de oportunidades”, pontuou a pró-reitora.

No Instituto Federal de Sergipe (IFS), a Funetec apoia a permanência e certificação de 150 alunas (6 turmas) em cursos de qualificação profissional voltados ao trabalho remunerado de cuidados, na modalidade presencial.
A temática reconhece uma realidade historicamente invisibilizada: o trabalho de cuidados, majoritariamente exercido por mulheres, muitas vezes de forma não remunerada ou precarizada. Ao oferecer formação específica, o programa valoriza profissional e economicamente essas atividades, promovendo autonomia e dignidade para as mulheres sergipanas.
Já no Instituto Federal do Pará (IFPA), existe uma oferta de 572 vagas. Os cursos contemplam áreas estratégicas e tradicionais, ampliando as possibilidades de inserção no mundo do trabalho:
São eles:
Um programa com história: do projeto piloto à política nacional
O Programa Mulheres Mil é fruto de uma trajetória de compromisso com a inclusão que começou em 2005, como um projeto piloto no Rio Grande do Norte, atendendo 60 mulheres em uma parceria entre os governos do Brasil e do Canadá. A experiência deu certo e, em 2008, o programa foi expandido para capacitar mil mulheres em situação de vulnerabilidade nas regiões Norte e Nordeste do país.
Após um período de descontinuidade, o programa foi retomado em 8 de março de 2023 (Dia Internacional da Mulher) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, integrando um pacote de políticas públicas voltadas às mulheres. A oficialização veio com a Portaria nº 725, de 13 de abril de 2023, que reinstituiu o Mulheres Mil em âmbito nacional.
Desde então, os números impressionam e revelam a dimensão do impacto dessa política pública. Segundo dados do Ministério da Educação (MEC), o programa já alcançou a marca de 119,5 mil vagas ofertadas, distribuídas em mais de 520 municípios brasileiros, com um investimento que ultrapassa os R$ 207,8 milhões. Somente entre 2023 e 2024, foram mais de 79,5 mil vagas. Em 2025, uma nova pactuação garantiu mais de 28,9 mil vagas em todo o país, contemplando 46 instituições da rede federal e 20 secretarias estaduais de educação, com investimento de R$ 53,6 milhões.
Em um mundo ainda marcado por profundas desigualdades de gênero, raça e classe, a justiça social não se alcança com gestos pontuais de benevolência, mas com políticas estruturantes que garantam direitos. A Funetec acredita que nada vale a caridade sem a luta pela justiça social, e é isso que promovemos nas centenas de projetos que gerenciamos.
Que este dia não seja apenas uma data no calendário, mas um lembrete diário de que é preciso garantir meios e condições igualitárias para que todas as pessoas possam desenvolver suas potencialidades, acessar direitos e construir, com dignidade, seus próprios caminhos.
TEXTO: Vitória Lisboa (Estagiária)
FOTOS: Renato Britto
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