Mulheres e Meninas na Ciência: conheça a história da presidente da SBPC e Embrapii e o projeto ‘Meninas na Ciência da Computação’

11/02/2026 13:37:38


No dia dedicado a igualdade de gênero na Ciência, a pesquisadora paraibana Francilene Procópio Garcia reforça a importância da presença feminina para um futuro científico mais diverso e inovador 

 

O Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, celebrado em 11 de fevereiro, foi estabelecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2015. A data visa promover o acesso pleno e igualitário das mulheres e meninas à ciência, reconhecendo seu papel crítico nas comunidades científica e tecnológica. Esta iniciativa está alinhada ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 5 (ODS 5) – Igualdade de Gênero, que busca alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas.

Os 17 ODS fazem parte da Agenda 2030 da ONU, um plano de ação global que abrange questões urgentes como erradicação da pobreza, proteção do planeta e garantia de paz e prosperidade para todos. A Funetec, em sua missão de promover educação, tecnologia e cultura, orienta suas ações e projetos com base nessa agenda, contribuindo para um futuro mais sustentável e inclusivo.

Neste cenário, destacamos a trajetória de uma cientista que personifica a luta por mais espaço, diversidade e impacto social da ciência: Francilene Procópio Garcia. Professora e pesquisadora da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). Desde 1989, Francilene é bacharel e mestre em Ciência da Computação e doutora em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), com período de pesquisa na Tsinghua University, na China.

Sua atuação vai além das salas de aula e laboratórios. Com uma carreira marcada pela integração entre ciência, inovação e gestão pública, ela assumiu, em 2025, a presidência da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a mais representativa entidade científica do país. Recentemente, também se tornou a primeira mulher a presidir o Conselho de Administração da Embrapii (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial), reforçando seu papel estratégico na política de inovação nacional.

Da curiosidade ao protagonismo: uma trajetória construída com diálogo e coragem

O interesse de Francilene pela ciência nasceu da curiosidade e da crença no conhecimento como ferramenta de transformação. Uma experiência de intercâmbio internacional durante a graduação foi decisiva, mostrando-lhe o valor da cooperação e do diálogo global para o avanço científico. Esse período coincidiu com a efervescência do movimento estudantil no Brasil, durante a redemocratização, onde consolidou sua convicção de que ciência, educação e democracia são indissociáveis. Foi nesse caldo cultural e político que ela entendeu a importância da comunicação científica para a participação social e a construção de um projeto de país.

Liderança com perspectiva de gênero e território

Ao assumir a presidência da SBPC, Francilene carrega consigo a representatividade de ser mulher e nordestina. Para ela, essa posição é profundamente simbólica. “Represento não só uma trajetória pessoal, mas também milhares de mulheres que, muitas vezes, fazem ciência além dos grandes centros, em contextos marcados por desigualdades”, afirmou em entrevista ao Portal Funetec. Ela ressalta que a presença feminina na liderança importa porque inspira outras a ocuparem esses espaços e traz perspectivas diversas para as decisões que moldam a ciência no Brasil.

Dados revelam avanços e desafios persistentes

Ao discutir políticas públicas para mulheres na ciência, Francilene apresenta um diagnóstico preciso, baseado em dados. “A participação das mulheres na produção científica brasileira chegou a 49% em 2022, frente a 38% em 2002, um crescimento de cerca de 30% em duas décadas”, destaca. Esse avanço, no entanto, não se traduz em igualdade ao longo da carreira.

Ela aponta a persistência do chamado “efeito tesoura”: as mulheres são 51% entre cientistas em início de carreira, mas caem para 36% entre aquelas com mais de 21 anos de trajetória. Em áreas estratégicas como Engenharia e Computação, a presença feminina é de apenas 24% e 21%, respectivamente. Além disso, apenas 35,5% das bolsas de produtividade em pesquisa são destinadas a mulheres.

Fatores estruturais, como a maternidade, têm impacto direto: “Estudos como os do ‘Parent in Science’ evidenciaram que, durante a pandemia, apenas 47,4% das cientistas com filhos conseguiram publicar artigos, contra 65,3% dos homens com filhos”, contextualiza. Por isso, ela defende que políticas afirmativas são indispensáveis não apenas para ampliar o acesso, mas para garantir permanência, progressão e liderança, incorporando também dimensões territoriais e sociais.

Um conselho para o passado e um chamado para o futuro

Refletindo sobre a data comemorativa, a presidente da SBPC compartilha o conselho que daria a si mesma no início da carreira: “Confie no valor da sua voz e no impacto que sua trajetória pode ter para outras mulheres, mas não caminhe sozinha. Busque apoio, construa alianças, fortaleça redes”. Ela enfatiza que os obstáculos não devem ser normalizados, mas enfrentados coletivamente. “A ciência é melhor quando é diversa, porque é nessa diversidade de experiências, territórios e olhares que encontramos soluções mais criativas e justas”, conclui.

O exemplo de Francilene não inspira apenas pelo cargo que ocupa, mas pelo eco que sua trajetória encontra em outras mulheres. É justamente nessa ciência que florescem novas gerações.

 

Mulheres que inspiram e incentivam a nova geração

 

A coordenadora do curso de Engenharia de Computação, Josilene Moreira, é um desses exemplos. Docente da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), desde 2014 está à frente do projeto de extensão Meninas na Ciência da Computação, iniciativa alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. O projeto nasceu com a finalidade de promover a inclusão e a igualdade de gênero no ambiente acadêmico, estimulando jovens a ingressarem nos cursos de graduação na área de informática, ampliando a inclusão digital e apresentando as diversas possibilidades existentes no universo da computação.

 

“Esse projeto nasceu para compreender e garantir espaço para que as meninas tenham as mesmas oportunidades dentro da universidade. Desde a infância, muitas são condicionadas a brincar apenas com bonecas e a realizar atividades voltadas ao cuidado da casa. Essa iniciativa mostra que elas são capazes de atuar com tecnologia de igual para igual. Essa é a nossa principal desmistificação. Não se trata de falta de capacidade, mas de incentivo e oportunidade”, destacou Josilene Moreira.

As mulheres que decidem seguir carreira na área das Ciências Exatas ainda enfrentam muitos desafios. Os obstáculos começam na graduação. Segundo dados do Observatório de Dados da Graduação da UFPB, divulgados em 2025, apenas 17% dos estudantes matriculados nos cursos presenciais do Centro de Informática são mulheres, totalizando 1.084 discentes regulares em Engenharia da Computação, Ciência da Computação e Ciência de Dados e Inteligência Artificial.

Vitória Emanuelle é uma dessas meninas. Egressa do ensino público, a estudante do sexto período do curso de Ciência da Computação é a primeira pessoa da sua família a ingressar em uma universidade pública. Bolsista do projeto, Vitória veio do Piauí para estudar na UFPB e viu nos estudos a oportunidade de transformar sua vida e ser diferente da realidade em que vivia, descobrindo, a cada dia, mais sobre a ciência e sobre como a informática e suas tecnologias ampliam horizontes.

“Na escola, o rosto da ciência sempre foi masculino para nós. Poder participar de um projeto que oferece a oportunidade de ser um desses rostos em meio a tantos homens é algo transformador. Aqui sou acolhida, respeitada e tenho espaço para ser quem eu quiser. Eu sempre quis ser diferente do que o mundo dizia que eu deveria ser, e aqui, no Meninas na Ciência da Computação, estou construindo quem quero me tornar, estudando o que escolhi para o meu futuro”, disse Vitória Emanuele.

Atualmente, o projeto conta com 14 estudantes. Ao todo, aproximadamente 100 meninas já passaram pelo projeto, entre bolsistas e voluntárias. No período 2026.2, o Centro de Informática contará com o novo curso de Engenharia de Robôs, sendo pioneiro no Norte-Nordeste, ampliando ainda mais o número de oportunidades para que mais alunas tenham a oportunidade de ingressem no ensino superior público.

A Funetec, enquanto fundação de apoio que gerencia atualmente mais de 40 projetos de PD&I ao redor do Brasil, acredita que a ciência não pode ter apenas o mesmo rosto e o mesmo território. Como defendido no ODS 5 — um dos 17 pilares que baseiam sua atuação — não há avanço científico sem a presença e liderança das mulheres. 

 

TEXTO: Renato Britto e Vitória Lisboa (Estagiária)

FOTOS: Renato Britto e Jardel Rodrigues/SBPC

 





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