
Realizada na Penitenciária Feminina Júlia Maranhão, em João Pessoa, a cerimônia marcou a conclusão do curso de Confeccionador de Bijuterias, promovido pela UFPB, com apoio da Funetec
A educação como instrumento de transformação social e construção de novas oportunidades foi o destaque da cerimônia de certificação das estudantes do Curso de Formação Inicial e Continuada (FIC) de Confeccionador de Bijuterias, realizada nesta terça-feira (3), na Penitenciária de Reeducação Feminina Maria Júlia Maranhão, em João Pessoa.
A formação integra o programa de Educação de Jovens e Adultos articulada à Educação Profissional e Tecnológica - Escola Técnica de Saúde da Universidade Federal da Paraíba (CPT-ETS/UFPB). O programa possui a gestão administrativa e financeira da Fundação de Educação, Tecnologia e Cultura da Paraíba (Funetec).
A iniciativa busca ampliar o acesso à qualificação profissional para mulheres privadas de liberdade, proporcionando conhecimentos técnicos que podem contribuir para a geração de renda, a autonomia financeira e a reinserção social após o cumprimento da pena.
Para a diretora da unidade prisional, Tatiana Pimentel, a parceria representa uma oportunidade de transformação para mulheres que, muitas vezes, não tiveram acesso à formação profissional antes do encarceramento.
“É uma nova oportunidade que oferecemos àquelas que estão aqui no cárceres, que muitas vezes não tiveram essa oportunidade nem na rua. É um novo caminho que elas podem ter ao saírem daqui, começando ainda aqui dentro, com um novo olhar de que as coisas podem ser diferentes e de que o rumo da vida Ápode mudar”, ressaltou.

Conhecimento que ultrapassa os muros da penitenciária
Entre as participantes, a emoção pela conclusão do curso foi acompanhada da expectativa de construir novas perspectivas para o futuro.
A reeducanda Carla Patrícia destacou a importância do aprendizado adquirido durante a formação e a possibilidade de utilizar os conhecimentos como fonte de trabalho e renda após deixar a unidade prisional.
“Para mim, é um ponto positivo na minha vida e na vida das demais meninas que participaram do curso, porque promove aprendizado, e o conhecimento ninguém tira da gente. Além de aprender algo novo, podemos usar isso a nosso favor lá fora, trabalhando com aquilo que aprendemos”, afirmou.
Carla também expressou o desejo de que novas turmas sejam ofertadas, permitindo que outras mulheres tenham acesso à mesma oportunidade.
“Estou muito feliz e espero que o curso venha novamente, para que outras meninas que não puderam participar também tenham essa oportunidade”, acrescentou.
Parceria pela educação e transformação social
A gerente de projetos da Funetec, Paloma Germano, ressaltou a satisfação de participar de uma iniciativa que demonstra o impacto das políticas públicas na vida das pessoas.
“É uma grande honra participar desse evento e, para a Funetec, fazer parte de um programa que beneficia tantas mulheres. É maravilhoso poder contribuir, mesmo que seja um pouco, com a educação e com a vida dessas pessoas. A educação é importante para a evolução, para a inteligência emocional e para tudo ao nosso redor”, afirmou.
Paloma também destacou a importância de acompanhar de perto os resultados dos projetos desenvolvidos com a participação da Fundação, especialmente aqueles voltados à ampliação de oportunidades para públicos em situação de vulnerabilidade.
O coordenador do projeto EJA Integrada à Educação Profissional e Tecnológica, João Felipe Bezerra, enfatizou que a proposta é levar formação aos espaços onde as oportunidades educacionais são ainda mais necessárias.
“Estamos levando educação para os locais onde ela é mais necessária. São pessoas privadas de liberdade que precisam de oportunidades para quando terminarem de cumprir suas penas. Sair daqui com uma formação profissional, que possibilita reiniciar a vida e conquistar sua própria renda, tem uma relevância muito grande”, explicou.
Segundo o coordenador, a experiência de acompanhar a formação das mulheres demonstra o potencial transformador da educação dentro do sistema prisional.
“Quando elas têm acesso aos conteúdos, às disciplinas de ética e às disciplinas técnicas, conseguem enxergar uma nova possibilidade de vida. É uma sensação de muita satisfação perceber isso no olhar de cada uma”, completou.
Formação profissional como caminho para novas oportunidades
Mais do que a entrega de certificados, a cerimônia simboliza a conclusão de uma etapa de aprendizado e o início de novas possibilidades para as participantes.
Por meio da qualificação em confecção de bijuterias, as estudantes tiveram a oportunidade de desenvolver habilidades que poderão ser aplicadas em atividades produtivas e iniciativas de empreendedorismo.
A ação reforça a importância da articulação entre instituições de ensino, fundações de apoio e unidades do sistema prisional para ampliar o acesso à educação profissional, valorizar o potencial humano e contribuir para a construção de novos projetos de vida.
Com iniciativas como essa, a educação ultrapassa os muros da penitenciária e se consolida como uma ferramenta de cidadania, dignidade e ressocialização.
Texto: Toheá Ranzetti
Fotos: Toheá Ranzetti
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