
Reconhecido como a maior obra de infraestrutura hídrica da América Latina, o Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF) atinge quatro estados do Nordeste e representa um marco para o desenvolvimento regional.
O desenvolvimento rural pode chegar para quem precisa de muitas formas, por meio de práticas que envolvem inovação, sustentabilidade e inclusão social. Mas a verdadeira ação, que promove de fato qualidade de vida para quem vive e trabalha no campo, é a chegada da água nas torneiras.
A importância de se destacar o Dia Mundial do Desenvolvimento Rural, principalmente para o Nordeste, é trazer para a cena os investimentos em iniciativas que conectam conhecimento, pesquisa e inovação ao desenvolvimento dos territórios rurais, gerando oportunidades de crescimento para o Brasil.
Nesse cenário, a Fundação de Educação, Tecnologia e Cultura da Paraíba (Funetec) desempenha um importante e estratégico papel ao atuar como gestora administrativa e financeira do Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF), uma iniciativa desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), e que está presente nos estados da Paraíba, Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte.
O PISF é uma iniciativa que distribui as águas do ‘Velho Chico’ por canais, aquedutos, túneis, reservatórios e estações de bombeamento para bacias dos estados de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte. No total, 390 municípios do Semiárido nordestino são abastecidos de água e esperança. É a garantia da segurança hídrica para mais de 840 famílias, que vivem exclusivamente da agricultura.
Uma dessas pessoas beneficiadas pelo PISF é a agricultora Marinalva Bezerra, de 55 anos, mãe de três filhos e avó de dois netos, moradora da Vila Produtiva Rural (VPR) Queimada Grande, no município de Salgueiro, interior de Pernambuco.

Antes da transposição, Marinalva teve que sair do Sítio Carrancudo, atualmente Barragem dos Milagres, para morar em Petrolina, para trabalhar na área da agricultura em uma empresa que comercializa uvas na região. Assalariada, ela sustentava seus filhos apenas com o que ganhava.
Quando surgiu a transposição do Rio São Francisco, Marinalva retornou para a propriedade que era do seu pai em Barragem dos Milagres e, a partir daí, com apoio e capacitação da equipe técnica da Univasf, ela passou a trabalhar no seu próprio negócio, cultivando coentro, alface, cebolinha, rúcula, pepino, couve, pimentão, pimentinha, banana, mandioca e forragem, utilizada na alimentação de animais de criação.

“Minha vida foi transformada há mais de três anos, depois que comecei a trabalhar com a Univasf aqui no meu quintal, ao lado do meu filho e da minha nora. A qualidade de vida da minha família melhorou 100%, graças à parceria e à presença da Univasf na nossa região. "Hoje, a minha vida está muito melhor depois que comecei a trabalhar de forma independente, apenas com o cultivo e a produção de hortaliças orgânicas", disse Marinalva Bezerra.
Segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), as mulheres representam 43% da força de trabalho agrícola mundial, desempenhando um papel essencial na produção de alimentos, na segurança alimentar e no desenvolvimento sustentável das comunidades rurais.
Somente na VPR Queimada Grande vivem cerca de 40 famílias, das quais 25 foram reassentadas, inicialmente, pela Transposição do Rio São Francisco, espaço onde a Univasf desenvolve diversas atividades de assistência aos produtores rurais, que vão desde a capacitação comunitária para que as pessoas possam aprender com os professores e coordenadores técnicas de montagem, implantação e operação dos sistemas de irrigação e regularização fundiária.
Apoiar o projeto de transposição do rio São Francisco não é só levar água às regiões que sofrem com a escassez hídrica há séculos, mas, acima de tudo, é fortalecer a agricultura familiar e o desenvolvimento socioeconômico das áreas beneficiadas.
TEXTO: Renato Britto
FOTOS: Marinalva Bezerra (arquivo pessoal)
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